sábado, 30 de maio de 2015

Mad Max: Fury Road


 
Finalmente e depois de vários contratempos consegui assistir o filme que eu talvez mais tenha esperado nos últimos anos. Desde que os primeiros rumores que George Miller retomaria a franquia que o consagrou (e considerando o 3o filme, o desgraçou também) o índice de impaciência e expectativa chegaram a níveis intoleráveis. Mad Max é o ícone do badass, não há carro mais icônico nos filmes de ação do que o Ford Falcon Interceptor que o então policial Rockatansky recebe no primeiro filme lançado em 1979.
A espera acabou. Fui ao cinema buscando evitar qualquer tipo de expectativa ou emoção, mesmo depois de ler as críticas mais empolgantes, mencionando o filme como um divisor de águas do cinema moderno. E, ele o é, amplamente é. Fury Road eleva à enésima potência a palavra épico. Como os faroestes, a poeira está lá, a diligência que leva a mocinha da história também, os bandidos e índios, bem como os cavalos. Só que na visão pós apocalíptica de Miller, os cavalos brotam de poderosos motores V8 que impulsionam o que sobrou da humanidade em uma perseguição que não faz o menor sentido.
Religião e simbologia, com a cruz e outros símbolos substituídos por um volante e um possante motor. Immortan Joe é um vilão como tantos outros, lembrando de Darth Vader a Hannibal Lecter, buscando um império de absoluta desumanização da humanidade, um anjo caído, um lúcifer. Em contraponto, a virgem, a pura, Imperator Furiosa, a limpa de alma que busca a rehumanização de seu povo. No meio de tudo, Max perdido e sem muito a falar, apenas agindo por instinto de sobreviver em meio da degeneração da raça humana.
Deixando o simbologismo e filosofia de lado o que temos na tela é um espetáculo visual, com cores e movimentos que simplesmente um diretor genial conseguiriam expor. A fotografia é simplesmente deslumbrante, com tons de laranja a maior parte do tempo e alto contraste contra o fundo do deserto. A coreografia das perseguições bebe diretamente de faroestes e seus ataques a trens e diligências. Tudo grandioso e barulhento, muito barulhento. Fury Road foi feito para ser assistido em tela grande e com o volume no máximo. Quase não há diálogo, mas a percussão e o som da guitarra tocada freneticamente por Doof Warrior serve perfeitamente para completar as imagens. Charlize Theron é a dona do filme, deixando o Max de Tom Hardy quase em segundo plano. Os críticos a este detalhe parecem esquecer que o herói sempre se coloca no silêncio, observando e agindo apenas quando necessário. Talvez Hardy não tenha a experiência ou o talento para ser o Max idealizado por todos os fãs, mas, se sai bem ao manter a personalidade e trejeitos criados por Mel Gibson mais de três décadas atrás.
Fury Road é épico e marca exatamente uma nova era. Assim como num passado recente Matrix o foi. Todos os diretores de filmes de ação terão que seguir a cartilha criada por George Miller em sua visão de futuro da humanidade, futuro este, que pode nem ser tão distante assim.