Finalmente e
depois de vários contratempos consegui assistir o filme que eu talvez mais
tenha esperado nos últimos anos. Desde que os primeiros rumores que George
Miller retomaria a franquia que o consagrou (e considerando o 3o
filme, o desgraçou também) o índice de impaciência e expectativa chegaram a
níveis intoleráveis. Mad Max é o ícone do badass, não há carro mais icônico nos
filmes de ação do que o Ford Falcon Interceptor que o então policial
Rockatansky recebe no primeiro filme lançado em 1979.
A espera
acabou. Fui ao cinema buscando evitar qualquer tipo de expectativa ou emoção,
mesmo depois de ler as críticas mais empolgantes, mencionando o filme como um
divisor de águas do cinema moderno. E, ele o é, amplamente é. Fury Road eleva à
enésima potência a palavra épico. Como os faroestes, a poeira está lá, a
diligência que leva a mocinha da história também, os bandidos e índios, bem
como os cavalos. Só que na visão pós apocalíptica de Miller, os cavalos brotam
de poderosos motores V8 que impulsionam o que sobrou da humanidade em uma
perseguição que não faz o menor sentido.
Religião e simbologia, com a cruz e outros símbolos
substituídos por um volante e um possante motor. Immortan Joe é um vilão como
tantos outros, lembrando de Darth Vader a Hannibal Lecter, buscando um império
de absoluta desumanização da humanidade, um anjo caído, um lúcifer. Em
contraponto, a virgem, a pura, Imperator Furiosa, a limpa de alma que busca a
rehumanização de seu povo. No meio de tudo, Max perdido e sem muito a falar,
apenas agindo por instinto de sobreviver em meio da degeneração da raça humana.
Deixando o
simbologismo e filosofia de lado o que temos na tela é um espetáculo visual,
com cores e movimentos que simplesmente um diretor genial conseguiriam expor. A
fotografia é simplesmente deslumbrante, com tons de laranja a maior parte do
tempo e alto contraste contra o fundo do deserto. A coreografia das
perseguições bebe diretamente de faroestes e seus ataques a trens e
diligências. Tudo grandioso e barulhento, muito barulhento. Fury Road foi feito
para ser assistido em tela grande e com o volume no máximo. Quase não há
diálogo, mas a percussão e o som da guitarra tocada freneticamente por Doof
Warrior serve perfeitamente para completar as imagens. Charlize Theron é a dona
do filme, deixando o Max de Tom Hardy quase em segundo plano. Os críticos a
este detalhe parecem esquecer que o herói sempre se coloca no silêncio,
observando e agindo apenas quando necessário. Talvez Hardy não tenha a
experiência ou o talento para ser o Max idealizado por todos os fãs, mas, se
sai bem ao manter a personalidade e trejeitos criados por Mel Gibson mais de
três décadas atrás.
Fury Road é
épico e marca exatamente uma nova era. Assim como num passado recente Matrix o
foi. Todos os diretores de filmes de ação terão que seguir a cartilha criada
por George Miller em sua visão de futuro da humanidade, futuro este, que pode
nem ser tão distante assim.
