Fala-se em profissionalismo ao se aceitar ordens de
superiores, mesmo que estas sejam contrárias ao que se acredita. Eu não
concordo em nada com esta máxima. Já pedi demissão de empregos por não
concordar com o norte dado pelos meus superiores. Nunca consegui ou conseguirei
fazer algo que eu realmente não acredito.
Por mais que cada um precise de seu emprego para pagar suas contas e ter sua
vida, eu não consigo conceber como o silêncio pode ser tão sepulcral entre os
funcionários da emissora. Medo puro e simples de perderem a boquinha num meio
que é dos mais concorridos e complicados? Seria este o motivo? Não sei, não
quero acreditar nisto.
Mas, a morte da rádio era uma morte anunciada. Desde
um ou dois anos atrás as coisas não iam bem nas internas, isso era notório.
Pouquíssimo investimento, demissões e contratações e ascensões de estagiários
permearam o panorama da rádio. Existe uma máxima que diz que onde não se
investe não se obtém lucro. A rádio sempre foi abandonada neste sentido, desde
que surgiu, por isso que o apelido “ovelha negra” caía tão bem. Não dava lucro,
mas também não dava prejuízo e sempre se manteve em um ponto intermediário do
IBOPE, sendo que em anos anteriores (meados de 2000) chegou a ocupar posições
mais para a frente. A Band tem problemas com suas rádios no FM, a Band News não
decolou no estado e é operada de forma precária em muitos momentos e a
administração atual não sabe bem o que fazer com uma rádio tão segmentada
quanto a Ipanema. Gestões anteriores eram mais simpáticas ao mote do não dá
lucro e nem prejuízo, então está bem. A questão final é que em um momento que
muitos teóricos dizem que a segmentação seria o caminho a direção da empresa vai
justamente ao contrário, buscando a massificação de uma rádio altamente
segmentada. Eu, sinceramente, não acredito que o caminho buscado alcance nenhum
sucesso superior ao anterior.