quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tocando à distância

Mais de 20 anos atrás chegou às minhas mãos uma fita cassete com capa cinza, num dos dias dedicadas à música que eu e meus amigos tínhamos. Era de praxe, todo sábado a tarde a reunião na casa de um dos amigos para escutar música, com lps ou fitas trazidas e mantidas como pequenos tesouros. A fita em questão que apareceu numa destas sessões era Joy Division: Substance, coletânea lançada em 1988 e que me colocou em contato com talvez uma das mais influentes bandas dos anos 70. Depois de praticamente gastar a fita a escutando, veio a busca por todo material do Joy, a descoberta que a banda tinha reencarnado como New Order e tudo mais. Na época, estas informações tinham que ser garimpadas entre os amigos ou então em edições da revista Bizz, companhia obrigatória de qualquer fã de música.
Passados alguns anos escrevi um texto sobre a banda, ainda nos primórdios da internet. Li o livro Touching from a Distance da viúva de Ian, Deborah Curtis. Talvez por meu inglês à época não ser tão refinado as memórias ficaram um pouco embaçadas sobre o conteúdo e de toda a história.
Finalmente, coisa de duas semanas atrás um grande amigo compartilhou uma noticia sobre a reedição do livro, que chegava em nova edição às livrarias brasileiras. Corri e comprei, iniciando imediatamente sua leitura. É um documento fidedigno, não apenas da vida e obra de Ian, mas de todo o panorama de fim de anos 70 na Inglaterra. Diferentemente de outras biografias, esta é escrita por uma pessoa apaixonada e ligada diretamente ao biografado. Ian é mostrado como vivia em sua pequena casa, como cresceu e como escreveu as letras que se tornaram a marca registrada do Joy Division. Não há culpa ou arrependimentos, apenas a realidade nua e crua. A paixão de Deborah é extravasada em cada capítulo, na compreensão aos erros e dificuldades provocadas por Ian. O livro também passa a impressão de que Peter Hook e Ian seriam os verdadeiros talentos do Joy Division e posteriormente do New Order, confirmando toda a mágoa demonstrada por Hook ao abandonar a banda em 2007.

É um livro que tem lugar obrigatório na estante de qualquer fã de música. O livro ainda deu origem ao filme Control, de Anton Corbijn, basicamente o resumo visual da obra. 

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