Mais de 20 anos atrás chegou às minhas mãos uma fita cassete
com capa cinza, num dos dias dedicadas à música que eu e meus amigos tínhamos.
Era de praxe, todo sábado a tarde a reunião na casa de um dos amigos para
escutar música, com lps ou fitas trazidas e mantidas como pequenos tesouros. A
fita em questão que apareceu numa destas sessões era Joy Division: Substance,
coletânea lançada em 1988 e que me colocou em contato com talvez uma das mais
influentes bandas dos anos 70. Depois de praticamente gastar a fita a
escutando, veio a busca por todo material do Joy, a descoberta que a banda
tinha reencarnado como New Order e tudo mais. Na época, estas informações
tinham que ser garimpadas entre os amigos ou então em edições da revista Bizz,
companhia obrigatória de qualquer fã de música.
Passados alguns anos escrevi um texto sobre a banda, ainda
nos primórdios da internet. Li o livro Touching from a Distance da viúva
de Ian, Deborah Curtis. Talvez por meu inglês à época não ser tão refinado as
memórias ficaram um pouco embaçadas sobre o conteúdo e de toda a história.
Finalmente, coisa de duas semanas atrás um grande amigo
compartilhou uma noticia sobre a reedição do livro, que chegava em nova edição
às livrarias brasileiras. Corri e comprei, iniciando imediatamente sua leitura.
É um documento fidedigno, não apenas da vida e obra de Ian, mas de todo o
panorama de fim de anos 70 na Inglaterra. Diferentemente de outras biografias,
esta é escrita por uma pessoa apaixonada e ligada diretamente ao biografado.
Ian é mostrado como vivia em sua pequena casa, como cresceu e como escreveu as
letras que se tornaram a marca registrada do Joy Division. Não há culpa ou
arrependimentos, apenas a realidade nua e crua. A paixão de Deborah é
extravasada em cada capítulo, na compreensão aos erros e dificuldades
provocadas por Ian. O livro também passa a impressão de que Peter Hook e Ian
seriam os verdadeiros talentos do Joy Division e posteriormente do New Order,
confirmando toda a mágoa demonstrada por Hook ao abandonar a banda em 2007.
É um livro que tem lugar obrigatório na estante de qualquer
fã de música. O livro ainda deu origem ao filme Control, de Anton Corbijn,
basicamente o resumo visual da obra.

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