terça-feira, 4 de novembro de 2014

O passado - part II


Alguns anos se passaram desde a bem sucedida experiência com o engenho temporal. A realidade então se descortinava não como uma novidade a cada segundo, mas como uma lembrança que é rememorada a cada instante. Sua mente é a do futuro, porém, seu corpo e ambiente é o passado.
O presente é o passado. Prisioneiro de uma verdade imutável que foi se descortinando frente a seus olhos. Mudar o futuro se mostrou muito mais difícil do que teorizado e a linha do tempo, salvo pequenas mudanças, continuava a seguir o mesmo traçado já vivido.
Cada dia que se passa ele tem mais em consciência que se tornou um imortal. Inevitavelmente dali alguns anos ele fará novamente a viagem ao passado e o engenho temporal provará que sua vida ganhou a inevitável denotação de inferno.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pinewood

Os estúdios Pinewood eram instalações avante seu tempo. Paredes verdes com uma faixa laranja e detalhes em cinza e bege. Um grafiti colorido ecoava a todos sobre a psicodelia plena daquela caixa de idéias. O ponto era que uma simples partida de sinuca se tornava uma justa medieval em questão de segundos. E, as idéias brotavam. Os sonhos nasciam. Tão rapidamente quanto a geladeira ou a cafeteira esvaziavam-se. Sempre com trilha sonora a mil as histórias iam se desenrolando na velocidade da luz. O ex-seminarista pedia um Maria nos dia ou uma benga melada. O baterista tomava café e nada mais. O karateca chutava as paredes nos erros no tênis de mesa. Do núcleo do sofá do Pinewood partiram expedições em busca de espaçonaves perdidas. Explorações fantásticas em que todos se tornavam membros do grupo. Isso é o que somos. Isso é o que éramos.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Ipanema II

Fala-se em profissionalismo ao se aceitar ordens de superiores, mesmo que estas sejam contrárias ao que se acredita. Eu não concordo em nada com esta máxima. Já pedi demissão de empregos por não concordar com o norte dado pelos meus superiores. Nunca consegui ou conseguirei fazer algo que eu realmente não acredito. 
Por mais que cada um precise de seu emprego para pagar suas contas e ter sua vida, eu não consigo conceber como o silêncio pode ser tão sepulcral entre os funcionários da emissora. Medo puro e simples de perderem a boquinha num meio que é dos mais concorridos e complicados? Seria este o motivo? Não sei, não quero acreditar nisto.
Mas, a morte da rádio era uma morte anunciada. Desde um ou dois anos atrás as coisas não iam bem nas internas, isso era notório. Pouquíssimo investimento, demissões e contratações e ascensões de estagiários permearam o panorama da rádio. Existe uma máxima que diz que onde não se investe não se obtém lucro. A rádio sempre foi abandonada neste sentido, desde que surgiu, por isso que o apelido “ovelha negra” caía tão bem. Não dava lucro, mas também não dava prejuízo e sempre se manteve em um ponto intermediário do IBOPE, sendo que em anos anteriores (meados de 2000) chegou a ocupar posições mais para a frente. A Band tem problemas com suas rádios no FM, a Band News não decolou no estado e é operada de forma precária em muitos momentos e a administração atual não sabe bem o que fazer com uma rádio tão segmentada quanto a Ipanema. Gestões anteriores eram mais simpáticas ao mote do não dá lucro e nem prejuízo, então está bem. A questão final é que em um momento que muitos teóricos dizem que a segmentação seria o caminho a direção da empresa vai justamente ao contrário, buscando a massificação de uma rádio altamente segmentada. Eu, sinceramente, não acredito que o caminho buscado alcance nenhum sucesso superior ao anterior.

sábado, 5 de julho de 2014

Um dia normal

         Ele seguia em seu novo carro – feliz por conseguir dar um pouco mais de conforto à sua família – para encontrar-se com sua esposa. Fazer um agrado em sua folga. O desconforto de sua moto era passado, a felicidade de estar e se sentir protegendo as pessoas que mais gostava a bordo de um carro o trazia uma sensação de dever cumprido. Ela dirigia seu ônibus, feliz por ter o que fazer, cumprir seu dever e levar as pessoas para casa após um dia cansativo. O objetivo de tudo era sorrir, ser mais feliz, e ter o dinheiro vindo da direção do pequeno ônibus para comprar presentes e o que mais fosse necessário para sua pequena filha.
Em uma fração de segundo, o ruído. O silêncio e a falta de luz. Os gritos e o adeus. Suas vidas, tão distantes até aquele momento se uniam na morte. Eram mais dois. Apenas mais dois. Ambos não queriam grandes coisas ou grandes realizações, apenas ter sua casa, seu carro, sua TV e fazer uma ou outra festa. Para muitos, uma vida medíocre. Para outros, uma vida normal. Para outros mais, uma vida acomodada, mas a vida deles, de pessoas honestas.
O prefeito não viu nada demais. O empreiteiro disse que era um acidente. Outro disse que era normal. Outro ainda não disse nada. E todos ficaram em silêncio, ninguém os chamou de assassinos. De vigaristas. De ladrões. De nada.
Praticamente em cima do acontecido um jogo. Um jogador, uma jogada, nada demais, uma joelhada e uma pessoa machucada. Algo normal e absolutamente irrelevante. Todos se machucam em esportes de contato. Grandes coisa.
Mas, o prefeito gritou – “Assassino! Tem que ir pra cadeia!” – o empreiteiro bradou – “é uma vergonha!” e o outro disse – “Algo tem que ser feito urgente”. A população concordou. Gritou. Revolução a vista. Corrente de orações se espalharam. Pessoas chorando nas ruas. Comoção, revolta e revolução! Tomar uma atitude é o que mais se escuta. O governo tem que se manifestar, tomar uma atitude.
Enquanto isso, no lado do rapaz e da moça, apenas silêncio. Eles não tem mais voz. Se foram. Já o herói-nacional-ferido brinca com seu vídeo-game e ouve o prefeito chamando seu algoz de assassino e sorri pela justiça que será feita. Pelas mãos do povo. Já o empreiteiro toma uma cervejinha com o outro, usando seu lucro da obra cara que destruiu duas vidas e duas famílias.

Mas, ninguém, os chamará de assassinos. Nunca. Na verdade, os escolherão novamente em um futuro não tão distante para novamente fazerem o que sabem de melhor: engordar às custas do povo.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Tocando à distância

Mais de 20 anos atrás chegou às minhas mãos uma fita cassete com capa cinza, num dos dias dedicadas à música que eu e meus amigos tínhamos. Era de praxe, todo sábado a tarde a reunião na casa de um dos amigos para escutar música, com lps ou fitas trazidas e mantidas como pequenos tesouros. A fita em questão que apareceu numa destas sessões era Joy Division: Substance, coletânea lançada em 1988 e que me colocou em contato com talvez uma das mais influentes bandas dos anos 70. Depois de praticamente gastar a fita a escutando, veio a busca por todo material do Joy, a descoberta que a banda tinha reencarnado como New Order e tudo mais. Na época, estas informações tinham que ser garimpadas entre os amigos ou então em edições da revista Bizz, companhia obrigatória de qualquer fã de música.
Passados alguns anos escrevi um texto sobre a banda, ainda nos primórdios da internet. Li o livro Touching from a Distance da viúva de Ian, Deborah Curtis. Talvez por meu inglês à época não ser tão refinado as memórias ficaram um pouco embaçadas sobre o conteúdo e de toda a história.
Finalmente, coisa de duas semanas atrás um grande amigo compartilhou uma noticia sobre a reedição do livro, que chegava em nova edição às livrarias brasileiras. Corri e comprei, iniciando imediatamente sua leitura. É um documento fidedigno, não apenas da vida e obra de Ian, mas de todo o panorama de fim de anos 70 na Inglaterra. Diferentemente de outras biografias, esta é escrita por uma pessoa apaixonada e ligada diretamente ao biografado. Ian é mostrado como vivia em sua pequena casa, como cresceu e como escreveu as letras que se tornaram a marca registrada do Joy Division. Não há culpa ou arrependimentos, apenas a realidade nua e crua. A paixão de Deborah é extravasada em cada capítulo, na compreensão aos erros e dificuldades provocadas por Ian. O livro também passa a impressão de que Peter Hook e Ian seriam os verdadeiros talentos do Joy Division e posteriormente do New Order, confirmando toda a mágoa demonstrada por Hook ao abandonar a banda em 2007.

É um livro que tem lugar obrigatório na estante de qualquer fã de música. O livro ainda deu origem ao filme Control, de Anton Corbijn, basicamente o resumo visual da obra. 

domingo, 15 de junho de 2014

Ipanema FM definitivamente o fim?

Por anos e anos minha rádio predileta foi a Ipanema FM, talvez pela identificação musical ou pelas frases de impacto (a rádio dos loucos) ou pela postura exacerbada em iniciativas como o Folharada ou o College na TV. Exageros a parte todos se sentiam um pouco em casa com a Ipa. Colegas que tinham uma banda e subiam o Santo Antonio para levar uma fita e baterem um papo com a Kátia Sumam até quem se sentia bem a vontade e até meio parceiro ao ouvir o Júlio Reny falar de suas músicas ao Alemão Vitor Hugo.
A rádio sempre foi de audiência mediana, ficando entre as 10 do ranking mensal sem grandes variações. Foi assim por anos e anos mostrando que o nicho encontrado era de ouvintes fiéis e devotados a uma causa, fosse ela do rock ou do rap.
A audiência do rádio no geral vem caindo de forma progressiva, embora pequena, esta queda é constante. Não apenas rádios de nicho perdem ouvintes, mas as líderes também. A questão é que após a saída de Eduardo Santos a Ipanema ficou perdida, sem um norte ou um líder que fosse carismático. Eduardo era o tipo ame ou odeie, porém, conseguia agregar e manter a rádio em sua posição, e aí entra a grande sacada, de ser a “menos pior”. Gestores passaram pela rádio e foram descaracterizando aos poucos o norte da ovelha negra, norte este que nasceu junto com a rádio no início da década de 80.
O ápice foi em 2012 quando o grupo Bandeirantes iniciou uma grande mudança na rádio, demitindo locutores e informando que a rádio se tornaria mais popular. Isto passou a ser praticamente esquecido por muitos no passado mais recente, principalmente após a re-contratação de Cagê Lisboa, comunicador com forte ligação com a época de ouro da rádio. Um sinal que esta mudança de foco aconteceria foi a rádio passar a ter dois programas diários de futebol e fazer o espelhamento das transmissões de futebol da Band AM.
O ponto final é a demissão de Pancho e a contratação de Thadeu Malta, um cara que passou por e gerenciou rádios como Atlântida, Capital, Alegria e Mix... aguardar o quê? Sua competência em rádios populares não é confirmada pelo aparente fracasso da Mix e não creio que ele tenha sequer alguma característica em comum com o perfil da rádio dos loucos. Eu vejo que a contratação de Thadeu como o fim da rádio, em todos os sentidos.
A BandRS parece dar tiro no pé. Mesmo com sua posição intermediária em termos de audiência a rádio se sai bem melhor do que muitas rádios populares. A BandNews é simplesmente pavorosa em termos jornalísticos em sua programação local. Mal feita, tocada com aparente desleixo e a Ipanema, conforme o comunicado de contratação de Thadeu, também passa para a batuta de Renato Martins, o coordenador da BandNews. O comunicado finaliza com a frase “tornar a Ipanema uma emissora ainda mais competitiva no cenário das FMs musicais, renovando sua programação, reposicionando o conceito da rádio e ampliando sua audiência.” 

Aguardemos, embora, a expectativa, seja pela primeira vez em sua história, péssima para os fãs de música boa e de qualidade em qualquer gênero.

Abaixo, algumas sacadas geniais da rádio, a maioria no comando de Edu Santos:








sexta-feira, 13 de junho de 2014

A lista das músicas que eu queria ter escrito

Continuando o que escrevi sobre listas, a lista da three letter girl, as listas de Rob e tudo mais comecei a pensar em mais uma lista. Uma não, mas várias, como a lista das músicas que eu gostaria de ter composto, ou a lista das músicas que não envelhecem e tudo mais.
Acho que começaria com a lista das músicas que gostaria de ter composto. É um bom raciocínio para caminhadas ou então ao se enfrentar uma estrada dirigindo e escutando um som bacana no rádio.
Eu gostaria de ter escrito, bem, vejamos... Surf´s up tonight do Midnight Oil. Motivos? Vários, acho que o principal é que eu gosto muito de Midnight Oil. Gosto de postura, e eles não parecem fake. Estive em dois shows deles e dei uma de fã quando estiveram pela última vez no Brasil, chegando a trocar algumas palavras em meu inglês horrendo com o Peter Garret. Pois bem, no último verão tirei alguns dias de férias em uma praia paradisíaca e isolada e pela primeira vez na vida acho que entendi completamente o que a letra de Surf´s up fala. Além da letra, tem o riff de guitarra que não sai da cabeça, enfim, com certeza essa é uma das músicas que com certeza estariam na minha lista de músicas que eu gostaria de ter escrito.
Mas, este início de lista não poderia ter apenas um som. Eu gostaria muito de ter escrito Try, try, try do Smashing Pumpkins. Eu tenho até várias interpretações para a letra. Penso em algo não tão triste como o clip deixa passar. É difícil recomeçar, é muito difícil não retornar ao começo. São tantas coisas que me passam quando escuto e penso na letra de Try. Talvez o fato deste som ter sido lançado em uma época que minha vida tomava um novo curso, uma mudança muito grande, tenha a tornado tão marcante para mim. Try, try, try foi um norte, não retornei e não cometi os mesmos erros.
Em terceiro eu colocaria na lista Hey Ya do Outkast. Isso pode deixar muita gente perplexa. Mas é isso mesmo. Música pra bandalheira. Bagunça,Shake it shake it/ Shake it sugar. Bem por aí, bandalheira e bagunça mesmo. E além de tudo, para fechar com chave de ouro, o clipe é sensacional.
Para finalizar por hoje, eu colocaria em minha lista um som nacional, brasileiro. Cara estranho do Los Hermanos. Eu odiava Los Hermandos. Ana Júlia? Por favor. Um dia meu melhor amigo me falou “Los Hermanos é legal” enquanto a porta do elevador se fechava. Esta foi a sua despedida naquele dia e fiquei matutando se isso seria possível de ser verdade. Passou um bom tempo e ganhei de presente o CD Ventura da turma do Camelo & Cia. O CD ficou encostado até que um dia escutei e me encantei. Me deparei com o Cara estranho. Coisa fantástica. Pode cair em um lugar comum facilmente, mas quem não é um cara estranho?

O passado - part 1

   Quando ele se deu conta do que havia se passado ficou perplexo. Consultou o relógio e notou que era um relógio que não usava há pelo menos 10 anos. Caminhou naquela rua arborizada em direção à um pequeno mercado, onde poderia tirar sua maior dúvida. Olhando o jornal sobre a caixa sorriu, enfim, tudo tinha dado certo. O horário era o mesmo, apenas um ou dois minutos após sua última noção de consciência. O dia também, era o correto, porém, o ano não. Ele havia conseguido, 15 anos separavam aquele momento de seu  momento anterior de consciência.
    Mas, ao mesmo tempo que se dava conta de sua posição no tempo, se deu conta que acabava de se tornar um prisioneiro. Sua consciência dos acontecimentos estava clara e firme em sua mente, porém seu corpo era o corpo de 15 anos atrás. Sua realidade era aquela que ele viveu no passado, seus amigos, sua vida era uma vida passada. Ele não mais existiria no futuro. Estava preso em um passado que ele mesmo construiu. Os problemas começavam a fervilhar em sua mente. O conhecimento de acontecimentos futuros poderia trazer inúmeros problemas. O que deveria fazer, modificar os erros que havia cometido no passado e mudar consistentemente o futuro ou tentar fazer tudo exatamente da mesma forma que havia feito, não causando nenhuma mudança na linha do tempo? 
    A opção lógica, de fazer tudo como havia feito e levar a linha de tempo exatamente como havia acontecido parecia ser a linha a ser seguida. Mas, outro problema logo veio à sua mente. Se ele seguisse estritamente a linha de tempo que ele mesmo havia construído, apenas vivendo sua vida exatamente da mesma forma, ele invariavelmente construiria o engenho temporal e faria a viagem de 15 anos ao passado, voltando a viver as mesmas angústias. Seria um ser condenado a viver eternamente a mesma vida e o mesmo ciclo.

35 is The atomic number of bromine

Escrito 5 anos atrás....

Fazer 35 pode ser um marco. Não sei bem o porquê, mas eu sempre tive mais apego à idades que fecham em ciclos de 5. 5 anos, 10 anos, 15 anos, 20 anos e por aí em frente.
Sinceramente eu não sei explicar este apego a múltiplos de 5. Se fosse por preferências numerológicas (quanta bobagem!!) eu optaria por múltiplos de 7, 9 ou 11, estes sim os números que mais simpatizo.
Mas não, fui escolher logo o cinco. Talvez tenha a ver com o conceito de século e suas porcentagens, 1/10 de século, ¼ de século e aí em diante. Pensando bem, não, não é isto. 35 eu não faço idéia de qual fração de século é e nem faço muita questão de calcular, porque definitivamente isso é irrelevante.
Eu já escrevi que é bobagem dizer que estamos ficando velhos. E é mesmo. Na verdade vamos mesmo trocando opiniões e mudando nosso gosto por certas coisas. Acho que esta é a visão mais poética da coisa, mais alegre. A vida é alegria, mesmo nos momentos que consideramos os piores. É impossível dizer que já vivemos nosso melhor, porque não sabemos o que vem pela frente.
As vezes fica a saudade da infância, de quando o Capitão Kirk dando murros em extraterrestres era meu herói. Acho que sempre terei um pouco dele em mim, um pouco de exagero. Faz parte e mantém acesa a chama da infância.
Velhos são aqueles que apagam esta chama. Velhos são os que param de achar graça da vida, ou de tirar sarro de si mesmos.
Cada vez a vida fica mais legal de se viver. É tanta coisa para se descobrir, tanta coisa para se fazer. Sonhos que vão surgindo. Muitos sendo substituídos por outros. Enfim, sempre sonhando com o amanhã.sempre construindo o amanhã. É assim que é e assim que será. Ou pelo menos até que o Capitão Kirk faça algo que contradiga isto.

Sábado a noite


Mas que coisa é esta???? - brandiu minha namorada do quarto enquanto eu escutava Hollyday in Paraguai no som da sala.
Altos volumes. Na verdade e talvez, essa sessão de música que escutei a todo volume no som da sala serviu como um revival de coisas que tinham ficado um pouco para trás.
Na verdade algumas coisas nem mudam tanto assim. Estou digitando este texto num laptop com linux, como fazia antigamente, escutando música bem alto como antigamente e rindo de meu brother se esgoelando para cantar que Mandela está livre e que Voitila esta idoso... só que Voitila já morreu e Mandela não sei que fim teve.
Tudo é bacaninha, falam de crise e tudo mais, mas esquecem do sorriso que é ter uma bala soft, menos quando se afoga com ela. Tentaram fazer balas soft quadradas, heresia, caralho a quatro, tanto que a fábrica quebrou, aposto que apenas por ter feito balas soft quadradas.
Também não gosto de Spike Lee, do Prince ou do Kurosawa. Fito Paez é um mala que as patricinhas pseudo-intelectualizadas adoram. Se bem que elas também adoram o Teddy Correa, vai saber... Canniggia eu não faço idéia de quem seja, muito menos uma criatura chamada Mauro Silva.
Oh boy, como tem gente que tem medo de falar que não gosta do Fito Paez, até admitem e dizem : “Acho bacaninha” hehehehe
É aquela coisa toda. Acho que acabo batendo novamente a tecla detestável do politicamente correto!
E definitivamente, a melhor coisa de um sábado a noite em casa é escutar um amigo se esgoelando a gritar coisas sobre Mandela, Caniggia, Prince e Mauro Silva, mesmo que quem compartilha a casa grite “Que merda é essa?”

Oh boy!

   
Eu estive nos últimos dias analisando profundamente várias coisas que acontecem no mundo que gira. Infelizmente não controlo o girar do mundo, embora em certos momentos eu seja soberano sobre todas as coisas que giram ou não no universo.
    Estive pensando nos momentos ‘Oh Boy’, ou seja, aqueles momentos que as palavras para exemplificar nossa decepção com alguns se tornam insuficientes que o máximo que consigo é suspirar e dizer o “Oh Boy”.
    Eu escuto e vejo cada bobagem em toda parte que me espanto em certos momentos. Penso que a 8 anos atrás, meio enjoados da tecnologia, eu e um amigo criamos o movimento ‘low tech’, o oposto do high tech.
    Será que preciso de tantas tralhas eletrônicas, tantos cartões de plástico que não funcionam?
    Bom, estou fazendo de certa forma minha parte. Meu carro tem mais de 20 anos, o rádio dele é a ponteiro e sigo feliz, embora eu não tenha nem um catalisador pra salvar a pobre natureza. Oh Boy!
    Assisti um show visceral do Joe Strummer na tv no fim de semana. Visceral porque aquilo sim é um show, ou melhor, era. Depois assisti um pedaço de um show do Coldplay. Oh Boy... Coldplay é bacaninha. Mas não é visceral. Show tem que ser visceral, gritos, aquela coisa toda rocker. Concordo plenamente quando escolheram a melhor capa de rock da história a capa do London Calling, com a guitarra sendo quebrada. Depois de escutar o Joe Strummer prolongar Straight to Hell por uns 10 minutos a percepção do rock’n’roll e tudo aquilo que ele significa toma um novo significado.
    Digo Oh Boy, para essa turma que escuta umas coisas horrorosas (e eu achava Green Day horrendo... o dia seguinte pode ser pior) e que nunca escutou e nunca entenderá o significado intrínseco de Straight to Hell. Mais que uma música, uma demonstração de fé e de todo o ódio. 
    Hell boy… just straight to hell boy!

Fale mal de mim

Hoje estava relembrando algumas coisas de um tempo atrás. Acho que uns 10 - 12 anos. O que relembrei hoje é engraçado, na época um pouco chato.
Como existem criaturas bizarras no mundo. Que cuidam mais da vida alheia que dá própria. Lembrei porque escutava um disco do Autoramas (Stress, Depressão e Síndrome do Pânico), que foi lançado exatamente no mesmo tempo que aquela criatura se preocupou mais comigo que com ele próprio. Talvez meu sucesso o incomodasse, nao sei, mas, o som do Autoramas, que combina com aquele mala, é este:

Fale mal de mim

Você fica irritado comigo, 
só porque você me acha mais bonito que você
Você já fica todo nervoso, 
quando te dizem que eu sou mais talentoso que você 
Sua vida anda mesmo sem graça,
pois a única saída que você acha é me difamar
Isso até que veio bem a calhar,
eu estava precisando de alguém para me divulgar 

Fale mal de mim,
Fale o que quiser de mim,
mas por favor não deixe que em nenhum momento 
eu deixe de estar no seu pensamento 
Fale mal de mim,
Fale o que quiser de mim
Porque todo mundo que te conhece sabe que é isso que você merece 

Minha reputação continua intacta 
Apesar de todas essas historinhas que você inventou
E se a vida pra você é uma disputa
Lembre-se também que pra todo jogo há um perdedor

Se ele venceu, eu não sei ou me importa, mas eu venci.



Write a song

Hoje eu quis escrever uma música.
Mas eu não sou um Amarante. Queria uma música “Los Hermanos”. As vezes eles parecem que entram em minha cabeça e colocam em verso o que sinto. Ou o que eu espero.
Mas, musicalmente, eu sou um desastre. Não consigo transformar palavras simples em algo que toque, ou que fale alguma coisa. Pelo menos eu acho.
Amores requentados feito pão dormido vem do microondas, essa sabedoria simples sobre coisas simples me fascina. Eu procuro algo assim pra definir o que ando passando nos últimos dias.
Existe uma forma simples e direta de falar de sentimentos, de alegria e de amor? Talvez exista e talvez eu já a esteja usando essa forma simples, sem saber ou sem me dar conta.
Tenho sentido muitas coisas que definitivamente não são amores requentados vindos do microondas. Nem tem gosto de romance antigo. São sentimentos novos, coisas novas, nova forma de sentir e porque não, de viver.
Ano novo, vida nova. Essa frase muito me irritou, em muitos momentos da minha vida, por achar que as pessoas sempre encaram o começo de um ano (coisa comum) como o inicio de toda uma nova vida. Não se tem uma nova vida sem novos sentimentos ou novas emoções. Hoje, passado quase um mês já no novo ano eu me sinto e vejo que de certa forma um novo ano pode significar uma nova vida. Basta querer. E para isso não é preciso necessariamente ser novo ano. Pode ser um novo dia. O que sinto e o que passo agora é o novo descobrir a cada dia.
Mas definitivamente eu queria escrever uma música. Não sei o que está acontecendo, mas meus últimos posts tem falado coisas que eu consideraria não tão importantes. Mas, meus sentimentos estão bem grandes. Estou esperando muita coisa.
Talvez eu esteja definitivamente apaixonado, mas eu não me importo. É assim que sinto e pronto. Mas ahhhh, como eu queria poder escrever uma canção, pequena, de coração e com calor...

Diário do Capitão

Quando era pequeno a porta de meu quarto não dava propriamente para meu quarto. Era o portal de entrada para um mundo diferente, de sonhos, batalhas estelares, cruzadas para salvar a princesa e aventuras marítimas. Muitas vezes a porta não dava também para o corredor da casa e sim para uma dimensão onde nem todos eram mocinhos.
As vezes me assusto com o que pode acontecer fora de meu quarto, fora de meu território. Crescemos, às vezes como não queremos, conquistamos responsabilidades que não queríamos. Mas sempre temos nosso quarto. Porta de entrada para nosso mundo de sonhos, de perfeição. Momentos onde podemos derrotar o cara mau. Onde seguramos a espada e eliminamos o inimigo que nos afasta da princesa.
Fora do quarto em muitas vezes não consigo encontrar como derrotar os inimigos, acabo voltando pro quarto e sonhando. Apenas sonhando. Como quando eu sonhava ser capitão. De navio, de uma nave, de um avião. Mesmo que um avião não tenha capitão, e sim um comandante. Mas eu queria ser o capitão e ponto final.
Faz 11 anos que eu estava relembrando esses sonhos de criança, de ser capitão. De meu quarto e de toda a fantasia que povoa a alma infantil. Que videogame que nada. Que tevê que nada. Livros, histórias e brinquedos. Sonhos e fantasias, isso que é infância. Relembrando pensava como era bom ser capitão, James Kirk e o Vulcano. Sr. Spock, faça alguma coisa!
Subindo a ladeira em Caxias eu lembrava ser capitão e por um momento pequeno e único eu realmente era o capitão. Subo a rua, íngreme, enorme, como todas as ruas de Caxias. Quando paro na esquina. Um mendigo louco, ou apenas louco bate continência e diz: “Belo dia capitão!” Segundos e uma frase que marcou.
Fico olhando o louco indo, após me cumprimentar. “Belo dia capitão!” Olhando pro céu, imagino novamente todo o sonho infantil. Tiro o chapéu e olho pro céu. Sim, eu usava chapéu, talvez isso que tenha provocado o cara me chamar de capitão. Mas isso não é importante. Nem um pouco. Porque naquele momento, eu era realmente um capitão.

            Atravesso a rua, o ônibus vem, e a infância se vai. Até um dia, Sr. Spock.

Gravar fitas

Hoje gravei uma fita. Ops, não, gravei um cd. Uma coletânea. Especial. Pra alguém especial.
Me sinto como Rob, protagonista do magnífico Alta Fidelidade, que gravava coletâneas para presentear quem ele amava.
Tudo hoje é pasteurizado. Pré-fabricado. Posso gravar um cd em minutos. Mas este não. É uma coletânea para alguém que gosto. E muito.
Levo horas. Primeiro escolher, pensar, inspirar. Depois escutar uma a uma das músicas, pensando na ordem, e na forma que gostaria que fosse escutado. Ela é especial. Merece algo especial. Lembro do tempo que ficava trocando o vinil, apertando rec+play ou então, soltando o pause quando a agulha tocava o sulco do disco.
É assim que quero que ela escute a coletânea. Como alguém que escutava uma fita presenteada por alguém. Toda a mágica de ficar horas pensando em como encaixar as músicas nos 30 minutos de cada lado. Pensando nas emoções que se passaram quando fazia a lista. Rob fazia listas. Eu fiz uma lista mental do que poderia gravar. Ontem, enquanto caminhava. Hoje, enquanto caminhava, escrevi mentalmente muitas coisas. Algumas se perderam, outras estão aqui. Mas a fita (cd) está lá, com emoções em forma de sons.
Uma fita não pode ser algo frio. Não são pencas de músicas gravadas de qualquer forma. São 15 ou 16 sons. Únicos, inspiradores. Assim como ela me inspira.
Dizem que qualquer um precisa de uma inspiradora. Um norte talvez. Pra escrever, pra pensar e pra sorrir. Pra inspirar até a gravação de uma coletânea. Sorrir ao gravar uma coletânea.
Imaginação. Sonho. Sensação e sentimento. Tudo isso me percorre em um turbilhão sem fim de emoções ao pensar que num dia sem nada de especial, no horário de um jogo que eu não gosto e em um lugar que eu também não gosto conheci alguém que colocou um sorriso em meu rosto e me inspirou a gravar. A sonhar, a preocupar e a voltar a sorrir.
A fita está lá, pronta a ser escutada. Pronta a despertar emoções, sorrisos, momentos bons. Penso em tudo que uma palavra, ato ou som, pode desencadear. Não sei ao certo o que pensar ou falar em certos momentos. Mas, ela está lá. E ela me faz sorrir. Com seu sorriso, com seu ícone.

A menina das três letras. Talvez a chame assim de agora em diante. Gravei uma fita pra ela. Sim, fita. Saudosismo puro, embora essa fita se pareça com um simples e mero cd. Me sinto como Rob, plenamente feliz em saber que tenho alguém para quem gravar uma simples e deliciosa fita....

The songs:
01 Wild wild life - Talking Heads
02 Namorinho de portão - Penélope
03 Roam - The B 52`s
04 The joker - Fatboy Slim
05 The boots are made to walkin` - Nancy Sinatra
06 Bitch - Meredith Brooks 
07 Nunca - Groove James
08 Eu tive um sonho - Kid Abelha
09 O Girassol - Ira!
10 Todo Carnaval tem seu fim - Los Hermanos
11 Ciranda da bailarina - Penélope
12 Cara valente - Maria Rita
13 There she goes again - Gilmore Girls soundtrack
14 Cara estranho - Los Hermanos
15 Times like these - Foo Fighters
16 Porcelain - Moby
17 Try Try Try - Smashing Pumpkins
18 The man who sold the world - Nirvana
19 Demons - Macy Gray feat. Fatboy Slim
20 Sun is shinning - Bossa n' Marley
A friend said to me that three-letter-girl is happy, cause she received the tape. This is the best definition! :)

Da série deliciosas surpresas de um domingo chuvoso

  Estava eu, em casa, neste domingo de chuva praguejando por o churrasco do meio dia ter sido cancelado. Gosto de chuva. Mas chuva e churrasco, em um sítio principalmente, não combinam.
  Discovery channel. Repetindo programas que já assisti um milhão de vezes. Jay Leno passeando nos seus carrões e dizendo que é rico. Totalmente frustrante. 
  Abro minha velha caixa de cds. Em busca de algo especifico. Queria escutar o Acústico MTV Bandas Gaúchas. Me deparo com um intrigante cd, sem nome. Sem rótulo, sem nada. O que seria. Não faço idéia. Aliás, tem muitas coisas que nem faço idéia que tenho. 
  A surpresa vem quando coloco o cd no som. Cake! Não faço nem idéia e muito menos sonho de onde veio esse cd. Mas é Cake! Não sei o título, não sei o nome das músicas, muito menos a cara da banda. Nunca me interessei por Cake, nunca escutei Cake. Mas Cake é inconfundível. Tão inconfundível que quando assisti pela primeira vez a abertura de Mission Hill (meu desenho animado predileto) eu disse, em voz alta, isso é Cake! O tema de abertura de Mission Hill é Cake! Ora vejam só!
  E eu adoro o tema de abertura de Mission Hill. Cake era moderninho e descolado ali por 1997 - 1998. Creio. Sem ter certeza, já que eu nunca escutei Cake.
Mas que legal esse disco! Estou na quinta música e estou sorrindo. Até aumentei o volume. E fico sorrindo pensando se a menina das três letras também gosta de Cake. 
  Birds fall from the window ledge above mine/ Then they flap their wings at the last second.   Simples e totalmente cool. Com esse verso identifico e exclamo,  "Ei, é o Mr. Mastodon Farm"
   Enfim, Cake é legal! Ontem eu falei para uma amiga quando ela comentou que estávamos ficando velhos, "não estamos ficando velhos, apenas mudando alguns conceitos".

Menina de tranças


A menina de tranças olha para os passarinhos. Sentada na grama. Sentindo a sensação de estar junto da natureza e da paz na ponta de seus pés descalços.
       Sente a suave brisa em seu rosto. Como se a brisa a beijasse, trazendo um beijo de longe, um beijo cálido, um beijo suave. Uma folha flutua pela brisa, carregada por uma força invísivel mas que faz tudo girar, tudo passar, tudo viver.
       Ela pensa e muito, quietinha. Olha e vê. Sonha. As tranças levadas pela brisa. Sorriso no rosto, brilho nos olhos.
       A menina de tranças não usa chinelos. Pés descalços. Quer sentir a vida tocando seus dedinhos. Quer estar em paz, quer estar calma. Quer estar sorrindo. Quer sentir tudo, nao perder nada.
       Sem a menina de tranças saber, ela me faz feliz. Me faz mandar um beijinho pela brisa até ela. Me faz sonhar, me fez renascer.
       Amor, sentimento bom. A menina de tranças sente amor. Pois é apaixonada. Pela vida. Pelo sol, pelo vento, pela terra. Ela sonha. E sonhando viaja por lugares nunca antes tocados. Nunca antes vividos. Sensações. Emoções.
       Sonhando ela sorri. Sorrindo ela faz o sol brilhar. O passarinho cantar. A brisa que leva meu beijo soprar.
       Coincidências. Acasos. Deus quis. Sem explicação, mas a menina de tranças existe. E vive. Vivendo pensa. E muito. Quase sempre sorrindo. Trabalha e trabalha. As vezes esquece-se de si mesma. Deixa-se levar pelo sentimento bom. Mas sempre voltando a sorrir, e sentir a brisa que leva meu beijo e minha saudade.
       A menina de tranças sempre acerta. Acerta a hora. Acerta o tempo. Acerta a vida. Ela vive das palavras. Palavras que pesam. Palavras que nao pesam nada. Mas sempre palavras. Letras. Símbolos e significados. Riscos, rabiscos. A menina de tranças sabe de tudo isso. Expõe suas sacações pelas palavras. Escreve, e muito. Sorri pelas letras. Quem lê sabe que ela está sorrindo.
       Seus olhos se movem rapidamente. Brilham. Por detrás deles a cabecinha se move à velocidade da luz. Pensando e pensando. No que fazer. No que agir. Agindo ela ama. E ama intensamente. Com força. Com o coração. Sempre com a razão.
       Escrever sobre a menina de tranças sem paixão é impossível. A menina de tranças apaixona. E só. Apenas isso. Apaixonante. Palavra e significado. Alegria e muita. 
       Vida. Apenas vida. A menina de tranças traz vida. Sorriso. Coisa boa. Sonhos. Sonhos que vem e que nem notamos se são reais ou não. Realidade. São reais. Sentimentos reais. Amor real. Alegria real. Nossa vida.
       A brisa sopra. A menina de tranças caminha. Sentindo a brisa, sentindo meu suave beijo. A alegria de viver, a alegria de sentir. A alegria de amar.
       Esta é a menina de tranças, pelo que sinto. Pelo que vejo. E, por que não, pelo que espero. 

Érica

Ontem conheci Érica. 

 - Oi, meu nome é Érica.
 Assim, igual como quando conhecemos alguém na rua de forma espontânea e simples.
 Real. Extremamente real. Tão real a ponto de viajarmos se por um acaso absurdo da realidade não vivemos realmente dentro de uma matrix.
 Sonhos e mais sonhos. Aviões caindo, espadas, e lasers. Naves singrando o espaço, meninas fascinantes.
 Sim, Érica é fascinante. Tem um sorriso que faz a noite brilhar e se iluminar. - Oi meu nome é Érica. Frase curta, palavras inesquecíveis. Érica, de botas. Lógico, porque meninas bacanas usam botas. Nancy Sinatra que o diga. De saia. Coturno e saia. Perfeito.
 Chove. Pensando em jovem guarda vem logo à cabeça o verso, "tarde fria chuva fina e ela a esperar". Érica espera. E esperando pensa. Pensa de forma profunda. Seus olhos se movimentam em um brilho sem igual. Seria contraste com o cabelo vermelho? Ah, sim, Érica tem cabelos vermelhos. Vermelhos mesmo. Red hair girl.
 Ela pensando e nossa vida passa defronte de nossos olhos em uma sucessão vertiginosa de cores e odores. Pessoas e amores. Vidas. Simplesmente vidas. Palavras. Palavras que hora pesam hora não são nada. 
 Sorriso. Lembrança boa. Rosto iluminado pela única razão das palavras - Oi, meu nome é Érica. Ela poderia ser a garota pra frentex da música de um amigo meu, que por sinal diz; "você não é muito bonita, mas é pra frentex". Não. Érica é muito bonita. E é pra frentex. 
 Érica não gosta de filosofia barata de mensagem de email. Observa tudo. Consome tudo. Linka-se em tudo. Concentra-se em tudo. Contudo vê. Vê e pensa. Pensando as vezes sorri e diz - Oi, meu nome é Érica.
 Pizza de brócolis. Coca-cola. Érica é assim. Não se chateia, não chateia. Detesta light. Gosta da vida. Ri e sorri. Desenha uma careta com maionese e rí. Escreve palavrão com mostarda. Mostra a língua pro piá xarope. Faz careta. 
 Olhar distante. Pensamentos viajantes. Corre e corre pensando em como viver. No que fazer. No que agir. Age certo. Diz; Oi, meu nome é Érica.
 Olho pra seu rosto. Vermelho. Cabelo vermelho. Saia vermelha. Combinação errante. Coração errante. Paixão fulminante. E botas. Ah! Botas!
 No exato momento em que olho suas botas, de sua boca sai a sentença; "These boots are made for walking, and that's just what they'll do one of these days these boots are gonna walk all over you."
 Essa é Érica. Perfeita. Cabelo vermelho, saia vermelha e coturno preto. Ah! Camiseta preta. E gosta de Nancy Sinatra. O que mais? Só me falta ela cantarolar "my reflection/dirty mirror/there's no connection/to myself/i`m your lover/i`m your zero" e dizer que que gosta de Pearl Jam.

MTV Acústico Bandas Gaúchas

Resenha escrita a época do lançamento de citado disco...

A surpresa em ouvir a algum tempo que a MTV preparava um de seus tradicionais acústicos dedicado a bandas gaúchas era como uma notícia meio que inverossímil. 
Em uma época dominada por seus Cpm 22 e outras asneiras-lixo da hora (não se engane, aqui no sul também temos lixo igual) esse acústico com música "de verdade" parecia ser tão longe da realidade quanto que um novo disco dos Pixies.
Mas, felizmente, era verdade e já saiu. Com a Ultramen, Bidê ou Balde, Wander Wildner e Cachorro Grande.
O formato de 4 bandas em um único CD poderia ter um resultado ingrato. Mas, sinceramente, saiu muito bom e o resultado, excetuando-se alguns momentos, beira aqueles que podem se tornar grandes clássicos.
A ordem das bandas no CD (e DVD, que aliás, custa pouco mais que o CD e traz extras memoráveis), Bidê ou Balde, Cachorro Grande, Ultramen e Wander wildner não traduz a qualidade das gravações. Não que este ou aquele seja ruim, mas, simplesmente não funcionam no formato acústico. A ordem então, de brilhantismo seria de Ultramen, Wander Wildner, Bidê ou Balde e Cachorro Grande. Sendo impossível dizer se Wander ou Ultramen teve o melhor resultado.
Portanto, e usando esta ordem com a qual programei meu aparelho, a Ultramen começa "esgualepando" em sua apresentação com uma versão beeeem legal de Ultramanos. Dívida com a participação do Falcão do Rappa ficou mais samba-rock, mas pulsante. Todas as músicas da Ultramen ficaram muito boas no formato acústico, sem pontos baixos, a banda simplesmente funciona bem sincronizada. Perfeito.
Walder Wildner vem logo, e como escrevi anteriormente, impossível dizer qual o ponto alto. A melhor definição de sua participação é apenas uma palavra. Honestidade. Show honesto, que lembra seu primeiro disco solo (de longe o melhor), e como convidado especial recebeu Tom Capone, e sinceramente, pela energia que transbordava, ele estava presente na gravação mesmo.
Bidê ou Balde? Hum... seriam eles os Charlathans (plageando um texto publicado sobre a Bidê ou Balde na revista Aplauso)? Por mais que eu tente eu nao consigo gostar ou desgostar dos caras. É uma banda que confunde. Seria underground ou fake? I don't know... Se ao mesmo tempo eles conceberam um refrão grudento como "se tu quiser que eu te leve eu aprendo a dirigir"; eles podem criar letras profundamente underground. Criaram polêmica com a versão de "E por que não?" que faz parte do acústico. Marketing? Talvez. Legítimo underground? Definitivamente não. Existe um grande momento, a participação do Roger Moreira cantando a grudenta "Melissa", e me diverti escutando ele cantar o trecho "e minha vó é de Bagé". Em resumo, a participação da Bidê pode ser definida como "legalzinha". E só. 
Já a Cachorro Grande não funciona. O formato acústico definitivamente soa estranho. Parece que esqueceram de avisar para o vocalista Beto Bruno que era pra ser acústico. Em minha opinião a performance mais fraca do disco. Instrumentalmente perfeito, vocal deslocado. A pauleira tradicional da Cachorro grande soa fake no formato. Eu passo pra fast forward nas trilhas da Cachorro no Acústico MTV Bandas Gaúchas.
Fechando os créditos da versão DVD está a Ultramen tocando Amigo Punk, música de nossos amigos da Graforréia Xilarmônia, fantástico é pouco. Um verdadeiro tributo de fé a chinelagem iê-iê-iê graforréico. Qualquer fã da chinelagem gauchesca osvaldoaranhense dos anos 90 fica emocionado, e se nao fica é porque nunca viu Armigo Punk sendo tocada ao vivo, seja pela Graforréia, seja por outra banda. Aliás, a algum tempo encontrei em uma rede P2P uma versão ao vivo da Ultramen tocando Amigo Punk. Não tenho nem idéia de onde surgiu esta gravação.
Em suma, o disco/dvd valem pela Ultramen e Wander, tendo como bonus a Bidê.

As faixas do disco são:

1. Microondas 
2. E Por que Não?    
3. Melissa    
4. Bromélias    
5. Mesmo que Mude    
6. Hey Amigo    
7. Que Loucura!    
8. Dia Perfeito    
9. Sexperienced    
10. O Dia de Amanhã    
11. Ultramanos    
12. Dívida    
13. Máquina do Tempo    
14. Santo Forte    
15. Preserve    
16. Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro    
17. Bebendo Vinho    
18. Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu Te Amo    
19. Mantra de Possibilidades    
20. No Ritmo de Vida

Versão 1.0 de uma história da humanidade humana, por Erlon Radl

Diálogos do almoço:

As vezes quando almoçamos sozinhos, acabamos por prestar atenção em tudo que se passa ao nosso lado. Não creio que seja algo voluntário, acabamos por ficar mais receptivos ao que se passa ao nosso redor. A algum tempo atras, quando trabalhava em certa agência, resolvi ir almoçar em uma galeteria perto da mesma. Meus colegas não quiseram me acompanhar, reclamando do preço, mas mesmo só, estava confiante em minha empreitada gastronômica. 
Galeterias são ambientes curiosos, começando pelo lado de fora, onde impreterivelmente elas tem nome italiano (nem sei se galeto é uma comida italiana...), pintura de alguma das partes, nem que seja apenas a placa em vermelho e verde e terminando em seu interior, onde as conversas não se resumem em nada muito além de "Hums, Blurps e Comi demais". 

Mas alguns diálogos, insólitos, acontecem...

Sentado em minha mesa, rodeado dos mais deliciosos quitutes e sendo bombardeado por garçons com toda variedade de massas eu pensava que não havia nada mais interessante ao meu redor, quando noto a mesa ao lado, onde dois homens (ou nem tanto) mantém o animado e quase inacreditável diálogo:

- Viu só, a polícia federal está indo na casa das pessoas e prendendo quem tem coisa no computador. (diz o homem 1)

- É mesmo?? (homem 2)

- É sim, um amigo do primo de um colega de meu tio foi preso. Tá até agora no central. (homem 1)

- Está brincando?!? (homem 2)

- Não, é sério, até proibi meu filho, ele pegava filmes e música nessa tal de internet. Foi por isso que o carinha foi pro central. Isso dá cadeia e das feias, dizem que a policia federal anda monitorando o que as pessoas andam fazendo. Desliguei o computador da internet não da pra ratear pros homi. (homem 1)

- Tu tens razão, nunca é tarde pra se previnir. (homem 2)

- No resto eu não tenho medo, o meu computador é todo legalizado, o cara que me vendeu que instalou tudo, e disse que não tinha problema nenhum. Até cobrou caro, paguei 100 reais a mais pra instalar o Windows e o Word. (homem 1)

- Que bom, é melhor pagar pra não se incomodar. (homem 2)

- Mudando de assunto, tu viu o filme que passou na RBS (Globo)? (homem 2)

- Ahhh, vi sim, o Star alguma coisa... gostei bastante. Mas não entendi como a RBS (Globo) colocou aquele filme, ele ainda está em cartaz nos cinemas... (homem 1)

- Ainda ta em cartaz? (homem 2)

- Tá sim, tá ali no Bourbon... Eu ví a umas 2 semanas, pena que o Darth Vader e o capitão Kirk não aparecem nele. (homem 1)

- Pois é, eu vi na RBS e percebi isso, não sei, ele se passa antes, né? Nem o Luke Skywalker aparece, achei que tinha aquele de orelhas pontudas que não lembro o nome, mas nem ele apareceu. Acho que cortaram o filme... (homem 2)

- Eles sempre cortam os filmes! O cara de orelhas pontudas que aparece nos outros filmes é o Alien. (homem 1)

- É mesmo, acho que tinha esquecido, gosto muito do Alien... (homem 2)

- Mas eu gostei do filme, e tu notou que o SBT passou o primeiro a um mês atras? (homem 1)

- Ví sim, pena que o Kirk também não tava naquele... (homem 2)

E eu continuava alí sem acreditar em tudo que estava ouvindo, e amaldiçoando o fato de não carregar um pequeno gravador comigo, pois este é um dos diálogos que ninguém acredita que podem acontecer.
Me levanto da mesa após saborear um belo galeto, polenta frita e todos os demais ingredientes gastrônomicos que fazem nossa loucura.

Ao me dirigir à saída, comento em voz baixa, é, gastronomia faz mesmo mal a saúde.

Organic AlterNETive Website


www.ufsm.br/alternet

Primeiro zine da internet tupiniquim, nascido em Santa Maria, Rio Grande do Sul - 10 Anos online

O Xis da questão


Tenho visto muitas camisetas e cartazes enaltecendo a cultura brasileira e as coisas daqui. Acho isso louvável, e de certo modo faço minha parte. Mas existem coisas que são difíceis de se livrar. 
Alguns querem o fim de termos em inglês de nosso vocabulário, o que ao meu entender é uma grande bobagem, mas tudo bem.
Imaginemos uma hipotética situação onde o inglês seja eliminado.
Você chegaria na Lancheria do Barque ou no Davanhas (os nomes foram trocados para evitar constrangimentos;) )e pediria, - Ei, Gerson, me vê um xis toucinho (ou toicinho? - Ninguém sabe, ninguém sabe, oh, god!) ! - Digamos, algo no mínimo bizarro.
Mas a palavra "Xis" sendo derivada da inglesa "Cheese" (alguns botecos ainda usam esta denominação), se levarmos o movimento de valorização da cultura brasileira mais a fundo ainda, não podemos chamar o delicioso sanduíche de "Xis". 
Como chamá-lo então? Sanduíche de toucinho com ovo? Não, não, deveras estranho... 
E não é só disso... CD vai virar DC, Disco Compacto, DVD vira DDV, Disco Digital de Vídeo... é muita confusão...
Mas, enquanto essa revolução não vem, continuo pedindo o meu Xis bacon e minha Toca-Bola de sempre...

Pelo menos aqui Xis é Xis, não é hamburguer... :)

Listas

Eu estava pensando em uma lista, como Rob (Alta Fidelidade) sempre o fazia. Já fiz muitas listas, de sons favoritos, de sons para os amigos, sons para quem está pra baixo, sons pra viajar, enfim, sons para tudo.
Mas estava pensando na lista definitiva, the ultimate, a do fim do mundo, a que levaria para outro planeta caso nosso fumacento planeta deixasse de existir.
Uma lista assim é difícil de ser feita, de ser escrita ou pensada. Johnny Cash, Pixies, Smashing, B52´s, Talking Heads....
Talking Heads. Assim e ponto final. Acho que nem teria como por apenas um som do Talking Heads na lista defintiva. Acho que vou tomar uma liberdade, já que a lista é minha mesmo e vou colocar um álbum inteiro. Acho que foi o primeiro álbum que comprei em minha vida que escutei e escuto do começo ao fim, sem ter nenhum espasmo de pular alguma faixa como geralmente acontece. True Stories. Assim e simples. Simplesmente perfeito, simplesmente fantástico, simplesmente tem que fazer parte da trilha sonora definitiva para o fim do mundo.
É tão legal, que fica legal até com John Goodman interpretando People like us…
Quem não conhece, que procure, que conheça e aprenda sobre Talking Heades e sobre o True Stories...
Aliás, o clipe de John Goodman cantando People like us é de um filme chamado True Stories, escrito, dirigido e produzido por David Byrne em 1986. Recomendo.